quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

CAMINHO DE VOLTA!

Quando experimentamos o corpo e suas possibilidades, através de vivências, e não através do trabalho estético, puramente técnico, direcionado para o engrandecimento do ego, experimentamos também, uma sensação de totalidade, em termos de nossa abertura como indivíduos, um ser em comunicação com o mundo. O ideal de comunidade se traduz em estar junto com o mundo, ao invés de simplesmente estar no mundo. Na vivência o objetivo é criar um ambiente de comoção e alegria que estimule a visibilidade de nossos desejos, nos ajudando a expressa-los sem medos ou resistência.
Vivenciar os apelos da alma através da intensificação das emoções e dos sentidos nos ajuda a experimentar a realidade inesgotável da vida, para além de nós mesmos, ou seja, além do ego. Passamos a nos perceber como almas perpassadas pelas forças naturais, ou como conseqüências dos processos da natureza, como seres universais e, portanto, seres pertencentes a este universo.

Tudo o que acontece na natureza é através do movimento, do ritmo. Portanto, a vida é uma dança. O corpo em movimento gera vitalidade, que é energia, energia que é força, força que nos impulsiona e nos impele a irmos além dos limites. Quando nascemos, começamos nosso processo de aprendizagem da vida, assim como quando dançamos, passamos pelo processo de aprendizagem da dança. O corpo aprende a dar os primeiros passos, a dar graciosidade ao andar, que no principio é tosco, inseguro, nos levando muitas vezes ao chão. Nossa vontade de aprender é mais firme do que nossos primeiros passos. Aquilo que vislumbramos sobre a possibilidade de correr em direção ao que almejamos, desejamos, nos impulsiona a levantar e prosseguir; a despeito de quantos tombos levamos. Até que chega o dia que tudo se acomoda, dentro de nós e, magicamente, saímos andando, correndo e pulando. Assim é também aprender a dançar. No começo, movimentos feios, desajeitados. Depois, leveza, sutileza, beleza e forma, e a alegria de perceber o quão alto podemos voar e tudo o que podemos ser através da dança, através do nosso corpo em movimento. A dança é um caminho para se aprender a lidar com o próprio corpo, para descobrir nosso ritmo próprio, nossas emoções e formas de expressividade. A dança envolve a pessoa consigo mesma, com o outro e com o mundo que a cerca. Cada corpo é único e possui uma linguagem única que retrata a vivência interior de cada ser. O corpo fala muito, aos observadores, sobre a personalidade, sentimentos e desejos de cada um. Moldar este corpo, através do movimento, de forma consciente, é trazer a tona processos internos antes desconhecidos por nós. É transformar a partir do corpo, nossa postura diante da vida, desfazendo couraças emocionais, explorando sensações e sentimentos que, através da música e da dança, afloram de nós para o mundo, deixando o enclausuramento obscuro de antes, e tornando-se luz. Valorizar o trabalho com o corpo, através da dança e da música, é mais importante do que se possa crer. É uma busca pelo equilíbrio saudável em todos os níveis, ou seja, físico, psicológico, emocional, espiritual, etc... Nossos corpos estão em crise, pois retratam o caos em que nosso mundo está mergulhado. Nossos corpos são o resultado de um cotidiano autodestrutivo que passa por um processo de desintegração social, vide o arsenal bélico dos países, o número de suicídios, o enorme consumo de drogas e álcool por nossos jovens e ainda, as instabilidades econômicas e as péssimas condições ambientais: poluição da água, poluição atmosférica, alimentos transgênicos e as péssimas condições de vida de diversas populações do mundo. Nosso corpo sofre com as doenças da modernidade, havendo um número elevado de pessoas neuróticas, bipolares e depressivas. O consumo de medicamentos controladores de humor ou antidepressivos nunca foi tão abusivo. Sendo que é cada vez mais precoce a utilização dos mesmos por mulheres na tenra idade. Parecendo ser este o caminho mais fácil, se entopem de medicamentos na tentativa fútil de não sentir dor ou tristeza. Envolvidas pela busca de um padrão de vida e estética, de modos de pensar e ser extremamente exigentes, difíceis de serem seguidos, mas que todos tentam desesperadamente, se encaixar, abandonando seus anseios pessoais, se desassociando de si mesmo e esquecendo de vez, seus desejos íntimos. Daí nascem os distúrbios psicológicos; da negação de nós mesmos, da não realização pessoal, da incapacidade de expressar-se e de ser criativo e produzir. Os valores culturais e sociais dominantes nos devoram diariamente. Por isso encontramos corpos desestruturados, tensos, endurecidos, sem vitalidade. A tecnologia proporcionou à humanidade, grandes benefícios, mas neste processo de exacerbação do que é racional e lógico, tornamo-nos cegos com relação ao nosso próprio corpo, a nossa própria natureza. O corpo é visto como objeto, algo fora de nós mesmos. Dissociado de nossa natureza interna, o corpo é algo que pode ser transformado, modificado e manipulado através de métodos cirúrgicos estéticos. Como fez o Dr. Franckstein; recortamos nossos corpos, tiramos o que consideramos demais, preenchemos o que consideramos de menos e assim seguimos em busca de alguém que está bem longe de ser parecido com nós mesmos, nos distanciando da nossa imagem corporal verdadeira. Construímos nossas formas e beleza, baseados nas tendências da atualidade. Moldamos nossos corpos com silicone, aspiramos as gorduras, desfazemos rugas, enganamos Crono, o deus do tempo. Não queremos envelhecer. Sofremos dolorosamente por negar o que deveria ser visto por nós como dádiva divina; o corpo que temos e as marcas da passagem dos anos sobre ele. Nosso corpo é apenas um adorno, pois vivemos em um mundo onde o que realmente importa é a aparência. Somos um por dentro, e por fora, somos o que cremos que os outros e nós mesmos consideramos esteticamente aceitável. Estamos desconectados de nós mesmos, e precisamos fazer o caminho de volta. Mas, como?
O corpo retrata nossa história e não pode ser concebido a partir de uma visão fragmentada; distanciado do que o habita internamente, ou seja, o próprio indivíduo e o meio em que vive. Facultar ao homem a capacidade de retomar a si a consciência de ser e estar no mundo como pessoas, como corpos que ocupam espaço e influenciam o todo por serem energia, pensamentos, almas. Proporcionar um meio para a auto cura, devolvendo ao corpo o seu poder, o seu direito, de falar; devolvendo ao individuo a capacidade de auto transformar-se, auto-observar-se e compreender seus conflitos internos, resolvendo-os ou aceitando-os. A expressão do corpo através da dança e da música, é um caminho lúdico, suave, uma proposta de retorno, maravilhosamente desafiadora.

3 comentários:

Debora disse...

Gostei e muitoo o tx hein!!! bjokas

divas do oriente disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
divas do oriente disse...

oi adorei seu blog,linda sua mensagem...beijos saúde e sucesso!
agora acertei,escrevi errado duas vezes.mas agora deu certo,se quizer me visitar estou la no blog

http:divasdooriente.blogspot.com